9112-red-and-gold-christmas-ornaments-on-a-white-floor-with-silver-stars-pv Crónicas, Refúgios da Felicidade

O Natal Acontece


O Natal acontece em qualquer altura. Em qualquer data. Seja o dia 25, 30 ou 31. O Natal começa quando algo recomeça, quando tudo muda ou quando nada volta a ser igual. O Natal é muito mais do que celebração. Rima com renovação, com superação, prende-se em ofertas e liberta-se em votos e desejos. Porque o Natal acontece quando o deixamos acontecer.

Pode ser Natal quando recomeça a escola ou quando se muda de casa ou quando se troca a roupa da cama entre flanela e algodão. O Natal pode até começar quando abrimos um livro ou descobrimos um filme que nos muda para sempre. O Natal acontece tantas vezes quando ouvimos o maior de todos os conselhos e o seguimos… Quando cortamos o cabelo ou até o pintamos de outra cor. Aí sim. Pode começar o Natal.
O Natal começa quando começa a canção. E o Natal dura enquanto ela durar também…
Mas o Natal pode começar em dia nenhum. Ou pode nunca começar sequer.
Já aconteceu Natal no último dia de praia já no fim do verão ou na primeira chuva depois do calor. Pode ser em abril ou maio, num dia qualquer, a meio de uma semana banal. Ou então em fevereiro onde um Natal inteiro pode caber dentro de um mês tão curto.
O Natal pode ser um dia de aniversário, quando mudamos de idade e até acreditamos que isso muda mais alguma coisa. Um Natal inteiro pode estar ali: no segundo em que se sopram as velas e ao ritmo das palmas se festeja um ano novo, se pedem 12 desejos ao cortar as fatias e se esquecem os mesmos 12 enquanto se distribuem os pratos e abrem duas ou três prendas.
Um Natal pode esperar-nos numa noite ao deitar, quando se contam dívidas e favores em vez de carneiros, quando se listam afazeres e tralhas do supermercado que ficam sempre por comprar.
O Natal está ali no instante em que se veste um casaco antigo e descobrimos que ainda nos fica bem e nos bolsos encontramos bilhetes de cinema a que fomos há tantos anos, ver filmes de que já nem sabemos o fim. Aí acaba um Natal qualquer lá para trás para começar um outro.
O Natal acontece quando abrimos caixas antigas, cheias de postais e cartas escritas em datas que ainda começavam por mil novecentos e tal.
Um Natal acontece quando nasce um filho ou no preciso instante em que toca o telefone e não sabemos quem é.
O Natal acontece também quando chega alguém.
Um Natal pode começar ao jantar, entre a sopa e a sobremesa, entre o copo de água e o copo de vinho, vazio.
O Natal começa quando caem as folhas ou quando perdemos uma chave e não a encontramos mais. O Natal começa com um caderno novo, sem linhas, a cheirar a papel e de capa sem vincos.
O Natal pode acontecer ao mesmo tempo que se abre uma gaveta ou a porta de casa ou o envelope de uma carta registada com aviso de receção.
Mas o Natal também acontece quando alguém parte. E é para sempre.
Ou quando revemos um amigo ou fazemos um amigo novo ou sentimos saudades de um amigo que já lá vai.
O Natal acontece quando nós quisermos, quando nós o fizermos. Acontecer.
O meu até pode acontecer hoje. Renovar-se agora. Começar a qualquer instante, parar e recomeçar na manhã seguinte. E o teu?

 

Por Andreia Rasga

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