Nebraskan Children -12- by Jake Olson Crónicas, Refúgios da Felicidade

Mais que Perfeita


Sempre tive uma forma audaz de escapar à pergunta: “Gostas mais do pai ou da mãe?” respondendo: “Gosto da mana.” A minha irmã tem mais cinco anos do que eu e parece que quando eu nasci não lhe agradou muito a ideia. No entanto, por essa altura, já me segurava no colo como agora… um cais de embarque, um ponto de refúgio, um espaço seguro.

É a minha maior amiga, uma companheira de qualquer luta, uma irmã galinha, uma boa conselheira, uma excelente conversadora, uma menina divertida e risonha, com coisas para dizer e histórias para contar. Nunca me falhou. Nunca me faltou. Nunca me negou. Dentro dela, e da nossa relação de irmãs mais que perfeitas, junta-se o melhor que um pai e uma mãe podem dar a um filho: um irmão. Ser e ter um irmão não começa e acaba em questões genéticas, de sangue e de filiação. Ser e ter um irmão é ter um cúmplice sem igual, um novo olhar sobre uma mesma realidade, mais dois braços para uma tarefa, mais duas pernas para uma qualquer caminhada.

Nunca me conheci sem a minha irmã e ela, com certeza, não se lembra de muito do que viveu antes de eu nascer. Então, a nossa história de vida é um percurso comum, dividindo o pai e a mãe, multiplicando afinidades e vivências, somando experiências e recordações e subtraindo saudades do que foi, do que lá vai, do que não volta mesmo.

Vejo sempre a nossa relação tal como ela é: ela é a mais velha, a mais segura, a mais forte, a mais capaz. Eu recorro a ela, sem hesitar. É a primeira chamada telefónica numa aflição, a primeira partilha numa boa descoberta. Eu absorvo o que ela tem para me dar, com palavras ou com o seu olhar esverdeado ou azulado, sempre profundo e brilhante. Eu aconchego-me no seu conforto, embalo-me na sua confiança, na certeza do que sempre me prometeu e sempre cumpriu. Eu sou muito mais a irmã dela do que ela a minha irmã. Então, às vezes, as coisas invertem-se. Eu sou a primeira chamada telefónica dela numa aflição, eu sou a primeira partilha numa descoberta. E é aí que a minha irmã passa a ser mais minha. É quando recorre a mim, sem hesitar. É quando absorve o que tenho para lhe dizer, com aquilo que escrevo, digo ou comunico com o meu olhar de tom escurecido, tão diferente do dela. É quando ela se aconchega no meu conforto, se deixa embalar na minha confiança e sorve da minha pele ondas de promessas e certezas.

O Tiago, com os seus 9 anos quase 10, nunca me pediu um irmão. Na verdade, isso nem é conversa que lhe agrade muito. Mas penso muitas vezes na pena que tenho por ele não saber, nem imaginar, como é maravilhoso ser irmão de alguém. Como isso nos faz bem e nos faz ser melhores. Muito para além de ter um irmão. Muito para além de ter alguém do nosso sangue, um pedaço da nossa genética, com quem partilhar a família e a rotina. Pois ter irmãos tanta gente tem. Ser… é outra coisa bem diferente. É uma missão para a vida, é uma conquista de corpo e alma, é um dom. Hoje a minha irmã faz anos. A minha irmã! Que sabe como nenhuma outra ser a melhor de todas, deixando-me cumprir com a minha parte de ter o privilégio de ser, simplesmente, a irmã dela.

Por Andreia Rasga

refugiosdefelicidade.blogspot.pt

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