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Cunha ao Pai Natal


Esta é a primeira vez que meto uma cunha à descarada. Espero que o senhor das barbas brancas não me castigue. Afinal, a farsa é por uma boa causa.

Querido Pai Natal,
daqui escreve a mãe da Maria Rita. A menina que ultimamente adormece e acorda a pensar como há de conquistá-lo para receber os presentes com que sonha. A minha filha de três anos julga que o senhor tem o dom da ubiquidade e está em alerta permanente. Especialmente atento ao que ela faz para ver se merece os brinquedos que tanto quer para o Natal.
Mea culpa. Eu reconheço. Não escondo que eu e o pai temos contribuído para influenciar a atitude da nossa special one. É verdade eu, mãe, confesso: Tenho usado indevidamente e à descarada o nome do Pai Natal. Mas é por uma boa causa. Graças a esta farsa, a que prefiro chamar de iniciativa, a MR anda a poupar nas malditas birras. A mudança de comportamento tem sido tão significativa que passou a arrumar os brinquedos nas caixas sem ser necessário pedir. Também deixou de exigir guloseimas a toda a hora, adormece na própria cama, não larga a minha mão quando passeamos na rua. E graças a si, adorado Pai Natal, parou de chorar quando a levanto à noite para fazer xixi, bem como quando a acordo para ir para o colégio, normalmente ao som do “cutchi cutchi-cu, cutchi-cu” (o nosso ritual em modo serviço despertar).
“Ok, desculpa. Vou portar-me bem, prometo”, garante quando a relembro que o senhor de fato vermelho is definitely watching her.
Tem sido divertido vê-la com uma atitude exemplar. Por acaso, o Pai Natal acha que não vou aproveitar esta fase de menina bem-comportada?
É claro que vou. Até porque tenho esperança que, em breve, acabe por perceber que o esforço compensa. E que afinal esta é a forma correta de agir, seja em que época for (no Natal ou outra qualquer.)
Sou sincera, não me importo nada que o Pai Natal me penalize por estar a usá-lo como bode expiatório. Se não quiser não me dê nada neste Natal que eu fico contente só de imaginar os olhinhos dela a brilhar quando vir as fadas voadoras, as princesas patinadoras, entre outros cromos que pediu na carta que enviou ao seu cuidado.
Pode acreditar que minha filha merece tudo. É muito querida, carinhosa, alegre, brincalhona, preocupada, compreensiva, protetora, interessada, participativa… Entre uma série de outras qualidades que, com certeza, tem andado a reparar. Obviamente que aos (quase) quatro anos ainda não sabe nada sobre os dramas da humanidade. Mas garanto-lhe que já vai percebendo o que é ter compaixão pelo próximo. Como provou num dia destes à porta do hipermercado, quando implorou para que eu desse uma moeda a uma mendiga estrangeira que trazia o retrato de uma criança na mão. “Vá lá mamã, dá-lhe dinheirinho, que isto está a deixar-me nervosa. Ela está a pedir para o filho”. Fiquei agradavelmente surpreendida com o raciocínio dela, uma vez que não entendia uma palavra do que a senhora dizia, é claro que acabei por lhe fazer a vontade dando a moeda. E é por estas e por outras atitudes maravilhosas que vou voltar a ceder e fazer-lhe as vontades.
E caso o Pai Natal queira contribuir para a causa de uma mãe orgulhosa da sua menina generosa, não hesite em consultar a lista abaixo indicada:
– uma boneca que dá cambalhotas
– uma boneca que dá beijinhos
– a princesa que fala com os animais
– o bebé e a sua loja dos queques
– um filme do rato Mickey
– as fadas voadoras
– as irmãs princesas na versão de patinadoras
– um tigre de peluche
– coleção de dinossauros

Obrigada e um bem- haja, adorado Pai Natal
Um feliz Natal a todos!

Soraia Teixeira

Final Thoughts

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