MARIATCHIN_7 copy Crónicas, Lisboa Mátria

Desenhos… Ou são ANIMADOS ou NÃO!


Estou abraçado ao Mariachito. À nossa frente, As Aventuras Assustadoras de Billy e Mandy. O Esqueleto diz: “Acho que vou vomitar”. Billy corre, une as mãos em concha e suplica: “Vomita para aqui”. Isto não é uma história fofinha entre pai e filho. Mas é um fartote!

Mordecai (um gaio-azul) e Rigby (um guaxinim) trabalham na manutenção de um parque, sob as ordens de Benson, uma máquina vintage de distribuição de doces, a quem praticamente só se conhece as falas: “Estão despedidos” e: “Toca mazé a trabalhar”. Ainda há o Popps (o betinho cabeçudo), o Musculoso (o gordo idiota), o Fantasma-Mais-Cinco (sim, tem uma mão no topo da cabeça para dar “Mais Cinco”) e um Gorila Albino chamado Skips. Em Regular Show, quase tudo anda em torno de competições de videojogos entre Mordecai e Rigby (“Dá-lhe nas jóias da família, dá-lhe nas jóias da família”), que os podem levar para outra dimensão, para um combate de Wrestling ou para um concurso de consumo de malaguetas. Quando, por exemplo, o recordista da máquina de jogos ganha vida, ficando toda a gente a saber que afinal as iniciais CBG não queriam dizer Cabeça Barbuda Gigante (embora ele seja só uma cabeça barbuda gigante), mas sim Carlos Barroso Ginjeira (Mordecai: “Dá-lhe um pontapé nos tintins”, CBG: “Aaaaiii, o meu queixo”), há uma moral muito para lá do que nós, que já não somos da “Geração Ecrã-Táctil”, poderemos entender.

Elmore é uma cidade onde os “bonecos” se movem sobre planos reais. Quais bonecos? A família Watterson, claro! O gato Gumball e a sua irmã, Anaís, que é uma coelha como o pai idiota (Richard) e a sensata da família, Nicole, a mãe. Adoptaram um peixe dourado a quem cresceram pernas, chamado Darwin Raglan Caspian Ahab Poseidon Nicodemius Watterson III. Um must. Depois há, claro, Penny Fitzgerald (o amendoim com chifres de alce que é a paixão de Gumball), Carrie (a fantasma deprimida), Tina Rex (a T-Rex bully da escola), Senhorita Lucy Símio (a macaca directora da escola), Allan, o balão de hélio e o seu grande amor, Carmen, um cacto. Em O Incrível Mundo de Gumball, tudo, mas mesmo tudo pode acontecer, mas com uma por vezes incomodativa verosimilhança. É que “O que publicas na Internet nunca pode ser apagado” ou “As redes sociais não fazem amizades, destroem-nas” são hipotéticas verdades reveladas aos mais novos para que eles não possam, como nós, senti-lo na pele.

O Titio Avô é um caso aparte. É divertidamente pateta. Assumidamente parvo. A Tigre Realista Gigante Voador (que é mesmo um Tigre Realista Gigante Voador fêmea, deslocando-se por intermédio de flatulência de arco-íris) é um detalhe precioso num argumento onde o humor não tem preconceitos. É inteligente e perspicaz. Não creio que ensine grande coisa, mas é risada garantida.

Antes que se pense que estamos para aqui a fazer publicidade ao Cartoon Network, serve o supra para dizer que este “generation gap” dos desenhos animados sempre existiu e continuará a existir. É natural que os pais se preocupem com o que os filhos vêem na TV, mas por vezes há alarmismos que não se aplicam. E outras, o que é, da nossa perspectiva, “saudável “ ou “educativo” esconde grandes perigos. Já no nosso tempo era natural que os nossos pais se preocupassem ao ver-nos passar do inocente e pueril Sítio do Picapau Amarelo para o Conan, o Rapaz do Futuro ou mesmo o Sungoku. Mas adoravam ver o Coiote a levar com bigornas no crânio ou o Tom a ficar carbonizado numa explosão detonada pelo Jerry. E basta que agora, já adultos, vejamos o “Cops” para perceber que os E.U.A. não foram lá muito Bem Educados.

El Mariachi Diaz

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