483346_10151334369008586_1672487343_n Crónicas, Olhar no espelho

Adoro festas de pijama


O tema repete-se e, sobretudo, nos últimos quatro anos de forma mais insistente. A partir dos seis anos de idade, a festa de aniversário adquiriu, para o meu filho, o estatuto de grande acontecimento,até porque a sucessão de comemorações dos colegas – fim de semana sim, fim de semana não – impedem que o assunto caia no esquecimento. Fica latente. E volta em força dois meses antes da efeméride. «Mamã, já sei qual é a festa que quero este ano!» E as sugestões sucedem-se ao ritmo da imaginação de uma criança de dez anos. Terreno fértil, portanto.
Ainda não me pediu um elefante num jardim, nem para andar de balão, mas as ideias surgem sempre em catadupa. Felizmente já me livrei dos parques com insufláveis e música aos gritos, que deixaram de estar ‘in’ quando a pequenada começou a recusar tudo o que se associe a ‘coisas infantis’.
O cinema, as experiências que envolvam desportos e ciência ganharam terreno e até já ponderámos um piquenique, uma epifania matinal que rapidamente abandonei tendo em conta que o pequeno celebra o aniversário em fevereiro. Sentar na relva húmida de inverno? Um bando de miúdos a tiritar de frio enfiados em casacos, luvas e cachecóis? Noite às cinco da tarde? Pois… Passei à frente.
Não é fácil ser original mesmo tendo em conta a oferta imensa que hoje existe. Aliás, este é um negócio que floresceu nos últimos anos e parece-me, tendo em conta os preços que nos pedem, não estará mal de todo mesmo em tempos de crise.
Porém, o facto que se abrir os cordões à bolsa e gastar um dinheirão numa festa não garante o sucesso. Aquilo até pode encher o olho e entreter a criançada um bom par de horas. Mas será que saem de lá felizes? Aquele ar estropiado de cabelo colado à cara, rosetas encarnadas na cara, a acusar muita correria e overdose de açúcar significam diversão? Até pode ser que sim.
Este ano fugi das festividades por encomenda e optei por uma festa de pijama. Gastei muito menos dinheiro, brinquei com os miúdos que estiveram ‘acampados’ lá em casa. E acredito que foi uma experiência memorável, para todos. Não vamos esquecer. E é disso que se faz a infância. De memórias. Boas, de preferência.
Alimentar e agradar às hostes é fácil. Pizza caseira em que cada um escolheu os seus ingredientes, bolo de laranja com smarties feito pela avó, hambúrgueres, sanduíches para ir trincando entre brincadeiras. As brincadeiras? Desde jogos de estratégia, passando pelos Legos, filmes, experiências científicas, um pouco de tudo se fez. Mas o melhor, é o acampamento. Esse é o momento alto das festas de pijama. Cada um traz um saco-cama e um colchão, porque é giro dormir num monte de pernas e de braços.
Depois vem a parte de quem mais resiste ao sono… Não sei quem ganhou porque a mãe foi a primeira a adormecer. Ferrada.
É uma experiência muito interessante e gratificante porque podemos observar as dinâmicas do grupo em que os nossos filhos se integram e estreitamos laços com os amigos que partilham com eles a maior parte dos dias. A repetir, sem dúvida.

 

Ana Sofia Santos

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