DIAZ_cronica2_72dpis Crónicas, Lisboa Mátria

Spring é fonte em inglês. Toca a bebê-la!


A Prima Mais Fixe (sim, há sempre A Prima Mais Fixe) já cá anda. Vamos lá ensinar a pequenada a interpretá-la poética e cientificamente. Compreendê-la, portanto.
Quando estiver a ler isto, já é Primavera. Provavelmente, até já nem pode ouvir falar dela, tantas foram as publicações nas redes sociais em relação às 16h57m do passado dia 20 de Março. Ele era fotos de flores em barda, postais de boas-vindas, frases de escritores famosos, filósofos e até citações de Buda, personalidade que, até prova em contrário, passou a sua vida em lugares onde a Primavera não existe. Existe a monção e a estação seca. Não há 30 panfletos a anunciar excursões para ver os “Coqueiros em Flor” a encher a caixa do correio e os templos e pagodes não têm beirais para receber andorinhas, tampouco se conhecem vivendas com três espécimens em loiça (aqui que o Bordallo Pinheiro não nos ouve) ao lado de um azulejo com a frase “Vivenda o Nosso Karma”. Mas existe o Equinócio. Ou até dois. Por ano. Primavera e Outono. São gémeos da mesma família dos Solstícios, a Astronomia da Silva. Há o Senhor Solstício de Inverno, o primo sorumbático do clã, que marca a maior noite do ano, mas que toda a gente gosta de ter nas festas de aniversário, casamentos e baptizados, porque com ele vem a certeza de que os dias vão começar a crescer. Já o Doutor Solstício de Verão é o expansivo e espampanante da família, o maior dia do ano, todo ele é sol e alegria, mas a partir da sua visita tudo começa a ficar mais escuro e o Verão decai. Mas esta é a história do Primo Equinócio… Equinócio Astronomia da Silva, tem a mania da pontualidade. Mas não é mais que o preciso momento em que o dia e a noite são exactamente iguais. A Primavera, por outro lado, é uma Criança à Solta. Pontualidade? Que bicho é esse? Podemos chamá-la 30 vezes para jantar, mais umas quantas para dormir, mesmo que seja em troca de duas histórias e não da habitual uma, podemos até pedir para se portar bem dentro da loja dos animais e não desatar às festinhas a tudo e todos, do coelho angorá ao hamster anão, do persa na gaiola ao periquito azul, a Primavera, como qualquer petiz que se queira minimamente reguila, vem quando bem lhe apetece. Este ano, depois de tantas queixas ouvidas por tanta chuva (sim, nem parecia Portugal, porque se fosse suposto termos a chuva deste ano, o tal karma ter-nos-ia obrigado a nascer em Kensington), surpreendeu-nos quinze dias mais cedo. O sol convidou a demorados passeios, o mar finalmente deu tréguas, as andorinhas deram uma graça do seu ar (e não o inverso), houve até uma invasão de joaninhas a lembrar os tempos em que as hortas eram deixadas aos seus cuidados e não tanto aos dos pesticidas. Falo-vos, pais, de sinais que podem ser intuídos em plena Lisboa. Porque nem todos temos a disponibilidade de sair da cidade e ver acácias em flor, tojo, aqueles mantos de verde, amarelo e púrpura da Abrilada Alentejana. Mas teremos sempre as jacarandás. Os melros em chinfrim nidificante. Os aromas em qualquer jardim. Até os papagaios no jardim do Campo Grande. Mas também temos o dever de ensinar os nossos filhos a interpretar os sinais. Todas as cores da Primavera. Seria puro egoísmo serem só eles a colorir os nossos dias.

EL Mariachi dIAZ

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