MR_teste72dpis (1) Crónicas, No Mundo da MR

Tenho um zoo em casa


Nada supera a novela da vida animal, imaginada na cabecinha da minha “ma nova”, adoradora das mais improváveis criaturas.

Acho que a palavra perigo ainda não consta do léxico da “ma nova”, como tantas vezes chamo à Maria Rita (a minha filha e a grande protagonista das minhas crónicas). Se por um lado isso preocupa, devido à falta de noção do que pode ser ameaçador, por outro lado não me inquieta nada. Na realidade acho inofensivo, encantador e absolutamente delicioso! Se dependesse de mim ficava horas a ouvi-la falar da sua primeira e grande paixão que não acarreta perigos: os animais. Sei que herdou de mim esta atração pelo Fungagá da Bicharada e tenho a certeza que a soube elevar a um amor maior com a ajuda dos nossos queridos amigos gatos (a doce Meva e o rebelde Ziggy).

No Mundo da minha filha de (quase) três anos – atenção que este “quase” no sentido de “estar próximo” faz toda a diferença nestas idades – o elefante verde é o melhor amigo do crocodilo lilás que, por acaso, vive porta com porta com a formiga azul. Aquela que é prima direita da alforreca, cuja mania de ir para a escola toda despenteada costuma deixar os ouriços de dezasseis mil picos encolhidos. O que não a impede de cantar canções de embalar para ver se acalmam os malditos rouxinóis que, desde que alugaram às manas cegonhas o quarto ramo da alfarrobeira, tornaram-se num dos gangs mais barulhentos do prado. (Ufa!)

Apesar das peripécias, todas fruto daquela cabecinha maravilhosa que ajudei a conceber, no Mundo da minha Lindoca os animais vivem em plena harmonia. Não sabem o que significa serem abandonados à sua sorte e maltratados pelos humanos cruéis sem coração. E, em caso de necessidades básicas – como, para a MR, significa uma ida ao supermercado para comprar gelado de morango e bolachas de chocolate, ou ainda uma passagem pelo médico para tratar de uma escama desalinhada, de um pêlo da cauda eriçado ou simplesmente pôr um gloss – as mais improváveis criaturas podem sempre contar com os adultos. Lá em casa, no meio duma rica e vasta fauna, tanto eu como o pai da MR formamos uma pequena grupeta em alerta permanente. Sob o lema “o trabalho resulta em equipa”, orientamos tudo no sentido de proporcionar as melhores condições à bicharada que se mete em apuros. Na verdade, somos obrigados a exercer funções de tratadores de um zoológico privado, imaginário e idílico, uma tarefa nem sempre fácil, mas que A-D- O- R- A- M- O- S.

Soraia Teixeira